Loucuras de um colecionador de HQs
Qual a maior “loucura” ou atitude “sem noção” que já fizemos para adquirir uma revista ou coleção? Já gastamos horrores? “Emprestamos” dos colegas com más intenções?
Por volta de 1986/87, eu ainda não havia entrado em contato com a revista A Espada Selvagem de Conan. Ela já circulava há uns dois anos, mas não chegava muita coisa à cidade em que morava. Eu lia Capitão América, Heróis da TV e SAM, que tinha a sorte de pegar na banca. E ficava muito feliz. Mas, um dia, entrei no único sebo que havia e encontrei a Espada Selvagem de Conan 19, com capa do Tanino Liberatore. Peguei, folheei e levei para casa, ansioso com aquilo. Quando terminei de ler, estava boquiaberto com o roteiro, desenhos, capa etc. Era algo totalmente diferente dos outros gibis que estava lendo. Fiquei maluco.
ESC #19 – Essa foi a edição que me "fisgou"
Passei a procurar essas revistas e, vez ou outra, encontrava na banca. Comprava sem pensar duas vezes. Até que um dia, naquele mesmo sebo, entrei e vi o dono negociando com outro cara. Cheguei perto para ver e vi uma caixa LOTADA de Espada Selvagem de Conan. O tempo parece que congelou, trazendo ventos gélidos da Hiperbórea. Não preciso descrever a sensação para os senhores, pois sei que a conhecem bem.
Segurei-me para não atravessar a negociação dos caras. Esperei, impacientemente, o término do negócio. Assim que o vendedor saiu, perguntei para o dono quanto ele queria, esforçando-me para não demonstrar tanto interesse. Ele perguntou: cada? Eu: TUDO. Ele fez uma cara de surpreso, pensou um pouco e lascou o preço. Nem sei se achei alto e tal. Só sei que pedi para ele guardar até o dia seguinte, pois era tarde e o banco havia fechado.
No dia seguinte, após uma noite mal dormida, peguei o ônibus e fui para a cidade (sim, eu morava em uma fazenda, a 12 km do sebo).
Cheguei ao banco, saquei o dinheiro da poupança que tinha, fechei a conta e fui ao sebo. Uma hora depois, estava eu, com uma caixa de uns 20kg no ombro, entrando no ônibus, de volta para casa. E uma chuva de verão começou assim que entrei. Por pouco, não perco meu tesouro. Mas correu tudo bem e cheguei em minha casa, com um sorriso no rosto e dor nos braços.
Espalhei tudo no chão e comecei a admirar as edições. Tinha o número 1, 2, 3 até a edição 35, se não me engano. Minha mãe não gostou muito, mas sei que passei muitas tardes à sombra das árvores, vivendo as aventuras do bárbaro e imaginando que “Crom” havia atrasado aquela chuva de verão para que eu colocasse em segurança minhas revistas recém-adquiridas.
Ah, sim. Hoje, claro, tenho a coleção completinha.


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